quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

PRETÉRITO IMPERFEITO

Não tenho nada pra deixar
Vou escrever meu testamento
Pedindo pra que meu corpo
Alimente os vermes
Enquanto minhas loucuras
Alimentarão os sorrisos
Dos que me conheceram
Alimentarão as vaidades
Das meninas indecisas
Alimentarão as lembranças
Daqueles com quem menti
Não vou pro mar
Vou pro abstrato
Ficar num porta-retrato
E verás minha sombra
Quando for embora
Na esquina da sua rua
Na sua casa na esquina
E como não tenho nada
Nem mesmo ninguém
Pra deixar as palavras do nosso caso
Que não passou de acaso, de mero devaneio
Terás que me esquecer
Mesmo não tendo do que lembrar
Azar no jogo, azar no amor
Se te esquecer, seja como for
Agora vou lutar, mas já perdi a guerra
Você não passa de quimera
Seu pobre olhar sedento, sempre me pediu
O que num momento, você me negou
Vou te esperar
Na esquina em que não passa
No mesmo banco, em outra praça
No fim da noite, voltarei embora sozinha
Pedindo pra que a vida nos perdoe
-Pelos erros que não cometemos
-Pelos olhares que trocamos
-Pelos braços que seguramos
-E por cada esquina que dobramos
Sem olhar atrás
Entramos em casa
Voltamos pros braços
De quem nos aprisiona
Não escutamos quem nos telefona
Mas no meio da noite acordamos
Tentando acreditar que poderia ser real
Esse amor jovem, demente
Largando quem não tenho
Pra ficar com quem não mereço

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